quinta-feira, 17 de março de 2011

Pedro,

A única novidade, Pedro. É você estar parado em algum lugar, visto que as tuas noitadas cessaram. Patético você sempre foi, mas se deu conta apenas agora. O que eu tenho a te dizer sobre as tuas noites insones? Nada. Absolutamente nada. Porque tampouco me comove. Quero mesmo é que te enchas de fumaça por dentro, que tome litros e mais litros de café. Não me venha com os seus “ses”, eu não tenho culpa de você não ter dado valor a nosso relacionamento e muito menos de você passar à noite acordado. Eu, por minha vez, tenho noites incríveis em meus lençóis de seda. Durmo com a cabeça tranquila sobre o meu travesseiro de penas de ganso.

É incrível como a sua boca é imunda. Não consegue encerrar um pensamento sem um palavrão no meio. Isso me dá náuseas! Sabe o que acontece, benzinho. A verdade é que jamais devíamos ter nos deixado levar por aquela atração que nos envolvia. Eu, apesar de bem resolvida, via piscando em luzes de neon em sua testa: PROBLEMA, mas quis ver para crer. Eu realmente não consigo deixar lacunas vazias. Gosto de responder todas as questões quando começam com se, e sempre pago para ver. Eu é que não me perdoo por ter aceitado você em minha vida, por ter aceitado você dentro da minha casa, no meu café, almoço, jantar. Se não gostava do meu jeito metido e Cult era só pegar a mochila, meu bem, sair pela porta de frente e pegar o primeiro bonde. Ou em algum momento te acorrentei em minha cama? Ferre-se você! Com toda essa sua displicência. Injete a merda da sua cafeína pelas veias e morra.

Engraçado que nunca reclamei de ficar assistindo aquelas lutas ridículas contigo na madrugada. Obrigada por me mostrar quem realmente você é: um fingidor. Porque até comentar os prêmios que ele ganhou em Cannes você comentara. Você é ridículo, Pedro. As tuas fotos eu quis mantê-las como estão, para que toda vez que eu olhe veja o cara sem escrúpulos que você se tornou. E sabe o que é mais gozado de tudo isso, esse meu jeito mandão nunca foi problema pra você. Dizia que esse meu jeito dominador era o que mais te apaixonava, engraçado saber que metade das tuas palavras são falácias. Você devia me agradecer por estar vivo ainda, comendo o tanto de besteira que comia, ingerindo o tanto de caloria você estaria agora, não fosse por mim, com obesidade mórbida. Você não tem a capacidade de reconhecer que te fiz bem. Afogue-se então, Pedro. Já não faço mais parte da porra da sua vida. Não é assim que você se refere a ela?

O problema dessa história é a tua insatisfação em sair da zona de conforto, Pedro. Está remoendo coisas que não têm sentido. Aposto que sente falta das minhas vitaminas e comidas, quase, macrobióticas. Sem falar que deves estar passando frio nessas noites gélidas que estamos vivendo. Engraçado é você repetir tantas vezes com veemência que não precisa de mim, isso só prova o contrário: que precisa, precisa e precisa. Arrisco dizer que não consegues encontrar nada na tua gaveta, se é que consegue encontrar o teu guarda-roupa. Você não precisa de mim. Não precisa de mim. E ler isso só me faz aumentar a certeza que a tua insônia tem motivo: você tanto precisa, quanto está desesperado por mim. Eu é que não preciso de você. E você, com toda essa tua falação não conseguirá me envolver novamente. Com essa tua psicologia reversa barata. Eu não preciso de você. Apesar de.