sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Lucas,

A luz do abajur ilumina retrato preto e branco nosso. Aquele que tiramos na tua antiga e ainda assim – querida – Polaroid. E eu suspiro vagarosamente, doce. Porque te lembro ontem em meus braços tal qual vieste ao mundo. E digo-te que se antes eu enrubesci com teu corpo despido em minha frente, hoje desejo ardentemente. Porque jamais tinha experimentado sensação tão intensa e inexplicável como a que tu me proporcionaste na noite anterior.

Éramos únicos debaixo daquele mundaréu de estrelas e mesmo com todo o pavor e pudor tu me veio deslizar as mãos por entre os cabelos e tão logo descobrindo lugares nunca antes tocados. E eu desfaleci. Ali em teus braços, afoguei-me em teus beijos tamanhos e no doce e quente gosto de tua saliva.
E os teus dedos que percorriam a minha pele deixando-me enlouquecida parecia interligados com a minha mente que desejava mais e mais. E eu te fui por inteira. E os meus sussurros que mais queriam rasgar o peito eram abafados pelos teus lábios de veludo que me dizia que te era prazeroso tudo aquilo que eu sentia em gemidos calados.

E você me amou e eu te amei. E não há descrição para isso, amor. Hoje que te sou por inteiro, que me vês até a alma, que sabes bem como me sinto e me conheces como deveria conhecer sempre. Doce amor. E hoje estou aqui toda abobada e confesso-te que – mesmo bobamente – estou olhando-me frente ao espelho para ver se meu corpo mudou. Ou se somente o meu íntimo sabe que deixei de ser menina e passei a ser mulher. A tua mulher.

Com amor Roberta.

2 comentários:

Maria Fernanda Probst disse...

Quente, quente, quente.

Das cartas todas, a que mais amei.

Charlie B. disse...

Estou envolvido em um arriscado gemido calado. Se e fosse Lucas, estaria em êxtase. Como Marie Probst diz: quente, quente, quente.

Charlie B.