quinta-feira, 10 de março de 2011

Isabella,


 Cá estou eu parado e patético pensando em você. Passam das três horas da madrugada, já detonei um maldito maço de cigarro e estou segurando ridiculamente um copo de café frio. Diacho, mulher! Antes de te conhecer a minha vida era mais tranqüila, as noites não eram insones e o café era para se beber, não para se “admirar a fumaça que ganha a noite”. De tanto que poderia aprender contigo, de tudo que deveria ter absorvido de você, tinham que ser justo os detalhes a se eternizar, caralho?

Arranquei, sem dó nem piedade, todos os teus rostos da parede do meu quarto. Quis foder, no mal sentido, você. Cada foto tua foi rasgada minuciosamente e milimetricamente, em quadrados perfeitos. Não resisti a última maldita tentativa de te irritar. Foda-se se sou perfeccionista e foda-se se isso é doença e vai me fazer mal. Que se ferre você, com toda essa sua mania de paz e amor, de Carpe Diem e qualquer palhaçada ridícula desses filmes metidos a Cult que tu me obrigava a assistir. Ah, confessei não? Eu odeio Almodóvar, nunca gostei dos franceses e eu gostava de café. Uma, duas, três, vinte vezes por dia. Café, café, café, café, café, café. A perfeição é minha, o coração é meu também e eu tinha o direito de beber o quanto de cafeína meu corpo implorasse.

Mas não, me entreguei a um rostinho bonitinho de uma princesinha-sou-gente-grande. De uma bonequinha de porcelana que determina até quanto de ar que se pode respirar e que elimina tudo de mal que lhe faz, achando que faz mal pra porra do resto do mundo. Eu não sou inquebrável! Eu não sou frágil como você, eu não preciso cuidar da merda da minha alimentação, da porcaria da minha saúde. Eu não precisava regular a cafeína e o álcool e o cigarro. A porra da vida é minha, mulher. Afogo ela do jeito que bem quiser.

Não precisava, diacho, de ninguém me fazendo vitaminas, nem precisava de ninguém pra me por pra dormir e nunca precisei que me cobrissem, em noites frias. Não preciso. Não preciso, não preciso e não preciso, merda! Não precisava de ninguém separando minhas roupas, nem de ninguém me encorajando, nem ninguém cortando meus cabelos com graça. Não precisava e não preciso. Não precisava de você! Não precisava do teu carinho, não precisava do teu amor, do teu cuidado nem do teu sorriso de anjo. Merda, merda, merda. Não precisava te ver dormindo pra acreditar em milagres, não precisava te aninhar nos braços pra me sentir o melhor homem do mundo e não precisava achar bonito o vapor do café ganhando a noite. Eu não precisava me negar e não dormir e me forçar a não pensar. E não preciso. E não preciso me obrigar a pensar, tempo inteiro, que eu não preciso de você e que você não me faz falta. Não. Preciso.

4 comentários:

diana(B)runa disse...

Difícil chamar de lindo. Mais fácil chamar de incrível.
Adorei, muito.
=*

Anônimo disse...

Tao verdadeiro, tao diferentemente belo. Ual.

Brenda Matos disse...

No fundo a única certeza que ele tem é de que ama a Isabella e precisa muito dela, sim.

Hemilly Mares disse...

Matou.